Eu vejo que minha vida está aleatória quando eu penso que no último post eu dizia sobre querer reaprender a relaxar, e agora estou escrevendo esse post diretamente da Alemanha, pois vir pra cá ser útil.
Esse é o post 🤡
Em setembro, fiz uma videochamada com minha mãe e ela me contou do quão difícil estava para ela e meu padrasto darem conta da parte final da obra da casa nova deles e que a mudança seria outro passo complicado de concluir. Naquele momento, eu disse que achava as coisas um pouco injustas, pois eu estava desempregada em casa sem fazer nada de útil, enquanto eles realmente estavam precisando de mais um par de mãos para trabalhar. Nesse momento ela disse que eles já tinham pensado muito nisso e até queriam ter me chamado antes, mas que estavam com receio de pedir para eu vir, pois eu tenho um namorado e agora também uma cachorrinha em casa.
Nisso ela disse que cobriria o custo da minha viagem, comprou as passagens e em questão de 2 semanas, eu já embarquei pra cá. Se me tivessem dito que um dia minha mãe aleatoriamente faria isso por mim, eu teria gargalhado e achado sinceramente que seria mentira.

Pra quem não me acompanha desde lá do começo, não sabe que minha vida teve escassez de muitas coisas, onde tínhamos dívidas de tempos em tempos e pouco dinheiro para roupas e etc. Essa ideia toda de embarcar em um avião para ajudar a fazer a mudança demorou um pouco para realmente fazer sentido na cabeça.
Uma das primeiras coisas que me disseram é que “é fácil viajar quando a mãe está pagando tudo” e isso ficou dias alugando um triplex na minha cabeça. É fácil pensarem nisso, mas não o outro lado, em que minha mãe, aos plenos 50 anos, está conseguindo construir a casa dela e ainda tendo dinheiro sobrando pra “mimar” a filha. Esse tipo de mimo eu nunca tive antes.
Até pensei em sentir vergonha de estar escrevendo isso, mas por qual motivo sentir vergonha, quando o que nesse momento eu mais sinto é orgulho da minha mãe? Ver os pais conquistando os sonhos não é algo lindo? Poder estar presente em momentos felizes não é incrível?
Se eu tivesse ganhado um real por cada vez que soltaram um comentário negativo pra mim, eu provavelmente já teria coberto grande parte do custo do embarque.

Ano passado, quando eu e meu namorado viemos para cá, fizemos várias viagens e aproveitamos um pouco da parte turística. Agora, está muito mais sendo sobre relembrar de como era minha vida aqui anos atrás – quando eu resolvia coisas de bicicleta, ia tomar café da tarde com as vizinhas 70+, ir naquelas lojas imensas que parece mercado, drogaria e papelaria no mesmo lugar, comer tortas nas confeitarias e ver a vida passando mais devagar.
Lembram que eu falei da questão da casa nova? Então… a casa antiga vai ser demolida ano que vem. Quase 125 anos de história que vão virar estacionamento para a prefeitura.
Eu ainda não consegui acostumar com a ideia de que uma das minhas maiores referências de lar e segurança vai sumir. São tantas as histórias e momentos bons, que não consigo imaginar como vai ser passar na rua e a casa não estar mais aqui. Ver que aquele endereço não vai existir mais, nem quando eu pesquisar daqui uns anos no Google Maps. Acho que só quem passou por uma situação dessas, consegue imaginar o que se passa na minha cabeça agora.

No fundo, meio que consigo entender a atitude da minha mãe com a passagem, para ser uma forma de eu ter um pouquinho mais de tempo de passar aqui. Ela sabe que a decisão de mudar de volta para o Brasil em 2018 não foi fácil para mim e que eu realmente gostava de morar aqui.
Ela sabe também que eu adoro ser útil e organizar coisas. Win win que diz, né?
Vou continuar escrevendo daqui e trazendo um pouquinho de conteúdo como antigamente. Provavelmente vou fazer um post sobre os rolezinhos de bike que eu fiz, para vocês terem ideia de como era morar em Erlenmoos.
Finalizando: Se você quiser ganhar um cartão postal daqui, me chama no Instagram @brunabothh, que eu envio 🙂
Um post meio diferente, mas os desejos são sempre os mesmos… fiquem bem e até a próxima!
Abraço forte!


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