Entra rapidinho aqui no post e fecha a porta… lá fora está frio e ninguém aqui precisa ficar com os dedos gelados.
O inverno começou com as temperaturas mais amenas e a necessidade de puxar mais um casaquinho, um cachecol e uma meia quentinha tem aumentado nas últimas semanas. Tudo começou com uma blusa térmica, um tricô e foi evoluindo até chegar nas botas de couro e meia calça forradinha. Chegou oficialmente a estação mais fria e depois de alguns invernos sem muitas surpresas, esse ano até já nevou em alguns lugares aqui no sul do Brasil.
Os dias começam a escurecer cada vez mais cedo e do nada tudo parece mais molhado. Bate aquela preguicinha e aquela vontade de ficar 100% do tempo enrolada em uma cobertinha ou um cachecol. Dependendo do calçado, os pés já começam a doer de frio no turno da manhã e ficam gelados o resto do dia. O trabalho presencial acaba só se tornando possível com o quentinho de um café ou chá (ou um chimarrão gostoso). Eu já falei das paredes escorrendo de tanta umidade? Então, isso também acontece.
Essa sequência de dias cinzas e molhados acaba dando uma sensação nostálgica. Como criança, parece que a temperatura e o clima assim eram sempre ruins, mas nada como se tornar um adulto e ver beleza até no cinza e no escuro e a maravilha que é uma boa lareira, aquecedor e secadora de roupas.
Pensar nesse frio e molhado me fez lembrar do ano passado, quando além de frio, névoa e muita umidade, eu estava na casa da minha mãe e era temporada de colheita de maçãs.

Lembro que naqueles dias acordávamos cedo, tomávamos um bom café da manhã, colocávamos roupa térmica por baixo e roupa impermeável por cima. No pé, uma meia normal, uma de lã e jornal enrolado nos pés, para depois calçar botas de galocha. O look final não era lá muito estiloso, mas era funcional.

Quando eu ainda não tinha tido a oportunidade de colher maças pessoalmente, eu achava que era necessário usar aquelas ferramentas compridas para colher a fruta diretamente da árvore, que as frutas estariam em melhores condições dessa forma. Imaginem minha surpresa quando eu descobri que era diretamente do chão 🤡
Em dias frios e úmidos, as maçãs que caem da árvore se mantém suculentas e apodrecem mais devagar. Mesmo elas estando no chão, o processo de beneficiamento delas é bem tranquilo e acaba nem sendo motivo de nojo. A nossa colheita de maçãs era em partes para encaminhar para uma empresa (para fazer suco) e em outra parte, para receitas e delícias que queríamos fazer em casa.


Eu, meu padrasto e minha mãe pegávamos balaios e íamos colhendo as maçãs do chão, separando as apodrecidas das boas. Foi um trabalho duro, pois em grande parte era feito de cócoras ou agachado. Horas depois e cerca de meia tonelada de maçãs colhidas, colocamos todos os sacos de maçãs no trator do meu padrasto e fomos em direção ao local onde estavam pesando e recebendo as maçãs. O esquema era simples: subir na balança com o trator carregado, depois pesar somente o trator e fazer a subtração do peso do trator.


Eu, minha mãe e meu padrasto fizemos uma aposta: quem acertasse o peso do carregamento de maçãs, ficaria com o dinheiro da venda delas. Nas duas vezes que fomos pesar, meu padrasto ganhou…. e deu o dinheiro pra mim 😂
O que posso dizer, o dinheiro das maçãs foi todo investido em um colete da H&M e cosméticos em drogarias. Prioridades, né!
Pensei em compartilhar esse post com vocês, pois até então, eu também não tinha participado do processo do começo ao final. Para nós, que não é normal termos esse tipo de experiência no Brasil, é algo super especial e parece cena de filme. Para eles, é só algo que querem terminar logo, para não terem que se estressar…
Eu prefiro continuar esse espaço de contemplação aqui do blog, para ficar romantizando certas coisas. Vai ver romantizar a vida seja só um jeito bonito de dizer que a gente ainda acredita na leveza das coisas simples. E quer saber? Que continue assim.
E se tem uma coisa que eu queria te dizer, é: tenta também. Romantiza um pouco a sua rotina. O café quentinho, a conversa rápida com alguém na fila, aquele cheiro de chuva que invade a casa… vai por mim, essas coisas pequenas fazem diferença.
Como diz um colega meu: “Quem não valoriza o pouco, dificilmente se contenta com muito”. A vida, no fundo, é feita desses momentos que a gente quase nem vê — mas sente 💛
Abração!!!


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