EP02 – A DESCOBERTA
Oi pessoal!
Começar a buscar sobre a família, também é começar a encontrar pedaços de si mesma. Pode parecer uma fala genérica, mas pra mim, está sendo um divisor de águas. Ver sobre os que vieram antes de mim foi dando sentido a coisas que eu nem tinha parado para pensar ainda.
No post anterior, falei sobre minha busca meio fracassada para achar meus antepassados Both (parte da família do meu avô materno, que já é falecido) e que encontrei a árvore toda da família Bourscheidt (da parte da minha avó materna)… o que eu não sabia, é que essa busca traria MUITAS surpresas.

Minha avó, Wilma Catarina, disse que não sabia muito sobre a origem da sua família, pois os pais não costumavam falar sobre isso e em vários casos, ela nem sabia o nome certo dos familiares (era normal chamar alguns parentes por apelidos ou referências do nome + onde moravam ou trabalhavam).
Por falarem alemão em casa, ela pensava que a família tivesse vindo da Alemanha (o que aqui na região onde eu moro é normal), mas eu fiquei um pouco na dúvida, pois o sobrenome em si parece mais francês que alemão. Sabem aquela intuição que nos faz buscar mais informações de algo que antes nem era colocado em cogitação? Então. Lá fui eu atrás de pesquisas, certidões, registros e conversas em grupos de Facebook.
Nessas pesquisas todas, acabei descobrindo que eles não vieram diretamente de lá e confesso que fui ficando com uma sensação MUITO positiva.
O trisavô da minha avó, chamado Theodor Bourscheid, era luxemburguês, nascido na cidade de Vianden (que é muuuuuito próxima da fronteira com a Alemanha). Esse homem acabou conhecendo uma mulher chamada Susanna Dichter, que era da vila de Lahr na Alemanha e tiveram 9 filhos. Eles e alguns destes filhos acabaram vindo para o Brasil e se estabelecendo por aqui.

Depois desse “baque” inicial, descobri que 14 famílias luxemburguesas vieram para o Brasil na mesma época e que teoricamente, todos os descendentes tem a possibilidade de tirar a cidadania luxemburguesa. Eu surtei!!!!
As informações foram vindo picadas e eu tive que ir consultando fontes mais sérias e tirando dúvidas com profissionais de genealogia e consultores de cidadania europeia, para ter dados mais concretos. Descobri que tem várias formas de se conseguir a cidadania luxemburguesa e que o meu caso era um dos mais fáceis de conseguir.
Um dos meus maiores acertos foi ter encontrado a indicação do Kleber Berté, que é um consultor em Curitiba. Falei com ele e ele me ajudou nesse processo de solicitação de cidadania – que para mim era complexo demais de entender. O trabalho dele é bem rápido e eficiente e ele foi atrás de cartórios para comprovar que eu sou descendente sanguínea daquelas pessoas em questão.
Depois de termos os documentos que precisávamos, O Kleber fez todos esses trâmites de enviar tudo para o consulado luxemburguês conferir. Cerca de 6 meses depois eu recebi a primeira carta do governo de lá dizendo que eu havia sido registrada nos livros civis do país. Esse registro nos livros seria algo como o nosso CPF brasileiro e eu achei chique demais saber o meu número. Receber as cartas num geral me fez sentir chique demais, confesso…
Mais uns dias depois veio a segunda carta, dizendo que eu oficialmente tenho dupla cidadania. A certidão de cidadania europeia veio logo em seguida também🥰
O processo inteiro foi bem bacana, pois ambas as cartas estavam nos 3 idiomas oficiais do país: alemão, luxemburguês e francês. Com esse certificado e as cartas, posso solicitar o passaporte luxemburguês e até a identidade ou algum outro documento do país.
Curiosidade interessante: na época que meus antepassados vieram para cá, o idioma falado por lá era o alemão e o idioma dos registros documentais era em francês. Esse era um dos fatores que mais causava erros de grafia aqui nos cartórios do Brasil.
Eu sei que tudo isso já foi muita informação, mas uma das minhas surpresas principais foi outra: descobri que além de agricultores, a família tinha um apego muito grande pela escrita e eram excelentes contadores de histórias.
Eu sempre levei a escrita como uma parte importante de mim, adorando contar “causos” e fazer com que elas contenham emoção e algum tipo de sentimento de pertencimento – como se quem lesse o que eu escrevo, se sentisse próximo de mim. O Theodor, que eu citei antes, se envolveu muito na comunidade aqui no Brasil e se colocou a disposição de ajudar as pessoas da Igreja Católica como catequista e líder/organizador de festas paroquiais – essa informação eu achei na mensagem de óbito dele no Family Search. Já meu tataravô Francisco foi por muitos anos o professor da comunidade onde morava, marcando a vida de muitas crianças.

No fim das contas, acho que buscar a história da família é isso mesmo: descobrir que algumas partes da gente já existiam muito antes de nascermos. Ser falante, contadora de histórias, aventureira, viajante… qual a probabilidade desses traços terem vindo deles?
Fico feliz em poder estar compartilhando mais um pouco das minhas descobertas com vocês ❤
Agora uma perguntinha: Vocês sabem algum fato curioso da família de vocês? Contem aqui, que eu adoooooooro fofoca geracional! E outra… se quiserem ajuda achando suas famílias no Family Search, vou AMAR ajudar vocês.
Abração!


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