Federsee e Wackelwald, em Bad Buchau

Oi pessoal!

Sabe aquelas cidades que são pequenas e não tem muito para fazer, mas você gosta pois as lembranças de lá são gostosas? Então, essa é minha relação com a cidade de Bad Buchau na Alemanha.

Quando eu estava no primeiro ano de intercâmbio, eu morava relativamente perto de Bad Buchau e costumava ir para a cidade principalmente por causa dos mercados grandes e baratos que tinham lá. Aparentemente um lugar tranquilo, também acaba sendo movimentado por causa dos spas de reabilitação e a história bem única que possui.

Bad Buchau é uma cidade que chama atenção por causa das pesquisas arqueológicas, tanto que tem um museu chamado Federseemuseum. Da Idade do Gelo até a Idade da Pedra e do Ferro, tem vários instrumentos encontrados lá. Esse museu aceita visitas e a entrada é de cerca de 8,00 euros para adultos e 6,50 para estudantes.

Mas o que é o Federsee?

Federsee é lago raso formado após a última era glacial e cercado por uma grande área de pântano. Ele é extremamente raso e a profundidade média costuma ser ainda menor do que parece à primeira vista, geralmente bem abaixo de 2 metros, variando conforme a estação e o nível da água. Em algumas áreas, parece mais um espelho d’água sobre um tapete de vegetação do que um lago tradicional.

Sobre a parte histórica: a região do Federsee faz parte do conjunto de sítios arqueológicos de habitações pré-históricas sobre palafitas nos Alpes, que são reconhecidos pela UNESCO. Ou seja, não é o lago isoladamente, mas o conjunto arqueológico da região.

Uma das coisas mais interessantes: ele já foi muito maior no passado. Com o tempo, ele foi “encolhendo” por causa do acúmulo de sedimentos e da formação de turfa, o que explica esse visual meio pantanoso e cheio de vida. Não é um lago profundo e imponente, é quase um ecossistema vivo saboooooor lago.

O deck que leva ao lago custa 2,50€. Na época que eu morava na região, não lembro de ter cobrança para a entrada – mas é super interessante estarem cobrando, visto que cobram justamente para fazerem as manutenções devidas nesses lugares (respeitando tanto a cidade quanto a singularidade do lugar e os animais que estão quase extintos). Detalhe: tem vários avisos para as pessoas não falarem alto/gritarem enquanto estão visitando o deck e a passarela, justamente para não assustarem esses animais e causarem dano pro ecossistema.

Caminhamos pelo deck e o sol começou a sair. A paisagem era linda, com todos os juncos na lateral do deck sequinhos por causa do frio. Chegando mais perto da extremidade do deck, dava para observar o canto dos pássaros, vários peixes e também famílias de cisnes. Dava para perceber que as aves estavam começando a se juntar para partirem para um lugar mais quente antes do inverno.

Meu namorado, eu, meu padrasto e minha mãe

Tiramos várias fotos por lá e depois partimos para outra atração: o Wackelwald.

O que é o Wackelwald?

O Wackelwald é basicamente uma floresta… que balança.

Sim, literalmente.

O Wackelwald cresce sobre um solo de turfa bem encharcado e instável. Quando você caminha por lá, o chão cede bem de leve e começa a se mover, fazendo as árvores ao redor “mexerem” junto. É como se a floresta inteira estivesse respirando sob os seus pés.

Esse efeito acontece porque o solo funciona quase como uma esponja gigante, cheia de água. Então, ao pisar, você não está sobre terra firme, mas sobre uma camada flutuante de vegetação… O resultado? Uma experiência meio surreal: você dá um passo e o tudo balança, como se estivesse em um chão que não decidiu se quer ser sólido ou líquido.

Eu conheci a floresta em um dos meus primeiros passeios pela cidade em 2015 e tinha ido lá em várias oportunidades. Sempre comentava para minha mãe e meu padrasto, que também ficaram curiosos em conhecer. O Eduardo, meu namorado, também não sabia o que esperar de uma floresta que pula.

Quanto mais molhada a terra da floresta está, mais as árvores balançam com o impacto. Foi assim que nós entramos nela como adultos e saímos de lá rindo que nem crianças. Foi uma experiência MUITO engraçada!

Meu padrasto foi um que saiu com os calçados extremamente sujos de lá, de tanto pular de lá pra cá. Foi um momento muito bacana em família…

Depois de sair do Wackelwald, fomos em direção ao centro da cidade, que aparentemente estava bem movimentada. Em cidades pequenas como essa, normalmente todo o comércio fica fechado nos domingos, então volta e meia acabam fazendo um evento para atrair mais pessoas – onde abrem estandes e exposições na praça central, além de abrirem as lojas. Verkaufsoffener Sonntag, como chamam.

Passeamos pelo centrinho, fotografamos coisas que nos chamaram a atenção e depois fomos comer. Compramos Schupfnudeln (massa frita com chucrute) e uma cerveja radler (cerveja com suco de limão).

De sobremesa, pegamos Magenbrot (pão de ló com cobertura açucarada), Gebrannte Mandeln (amêndoas caramelizadas) e Apfelringe (rodelas de maçã com cobertura durinha de chocolate). Minha cara não me deixa mentir: eu estava MUITO feliz por poder comer todas essas guloseimas de novo!

Se você gostou do assunto do post e estiver passeando pela região, eu super indico um passeio por lá. Conforme lemos nas placas, o local está sofrendo muito com o aquecimento global e várias plantas nativas estão morrendo, o que acaba dificultando a vida de vários animais de lá que estão entrando em extinção.

Até a própria água do Federsee está diminuindo, então em questão de anos é capaz do lago só aparecer mais nas nossas lembranças. Vale uma visita antes disso.

Foi muito legal poder mostrar mais esse passeio para vocês!

Abraço forte!

Lembrete: Os valores citados são de novembro de 2023.

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