Oii!
Imagine 3 amigos inseparáveis, que iam na piscina municipal curtir o calor do verão, compartilhavam seu gosto musical por música e todos os anseios de crescer e estudarem juntos em Paris. Étienne à esquerda, Nina no meio e Adrien à direita, os três sempre de mãos dadas. Agora imagina que o futuro veio e trouxe à tona confusões lá do passado, misturando o passado e presente e tornando tudo um emaranhado de tristeza, solidão e incompreensão. Reconstrução. Redescoberta.
É nesse conflito todo que a trama da Valérie Perrin toca, mexendo com traumas, más decisões e consequências de atitudes (muitas vezes) inevitáveis. Esse é o segundo livro escolhido pelo Clube do Livro Entreblogs e eu falhei de terminar de ler e escrever o post no mês de março, but who cares, não é mesmo?

Ler esse livro pareceu levar uma surra de tapas na cara, onde de capítulo em capítulo a indignação e impotência vão ficando mais fortes. A forma que a autora conduziu a narrativa, mostra que a vida fluindo de forma difícil para pessoas que aprendemos a gostar gera uma dor física, até quando só estamos lendo relatos de uma pessoa fictícia. Não é um livro fácil de ler e muito menos uma leitura leve. É difícil, mas é muito importante. Depois de terminar o livro tive que pegar um momento pra pensar e internalizar tudo que eu li.
Logo de cara conhecemos os três personagens centrais: Nina, Adrien e Étienne. Pessoas com personalidades totalmente diferentes uns dos outros, mas muito complementares. Adrien sensível e fechado, Nina atenciosa tentando entender o sentimento dos outros e Étienne, com sua vibe ‘deixa a vida me levar’, ‘a vida é uma maravilha’. A amizade deles começa com 10 anos, na fila da escola, onde se conhecem e se tornam inseparáveis. Eles se amam, não com um amor romântico, mas com um amor quase fraternal, que supera descrições. Eles criam rapidamente um vínculo fortíssimo. Onde estava um, estavam os outros dois.
Como é violento crescer, mudar, ter que se adaptar.
Página 75
Um fato que me chamou muita atenção neles (e eu senti muito em mim), foi a relação deles com os pais. Nina foi abandonada pela mãe e vive com o avô, Étienne não vê amor paterno e Adrien, que a mãe criou sozinha e o pai só aparece uma vez na vida e outra na morte, pra se mostrar “presente”. Todos foram negligenciados à sua maneira: seja por pais presentes ou ausentes. Criança nenhuma deveria passar por um lar instável. O amor familiar que sentem no livro, assim como na vida real, muitas vezes não vem de sangue, mas de pessoas que aprendemos a amar.
Ela recorda o que Adrien e ela costumavam dizer: “Quando a vida leva algo embora, ela dá algo em troca.” Mas às vezes a vida erra. Redistribui as cartas de forma desonesta.
Página 395Enquanto eu colocava updates da minha leitura no Goodreads, acabei escrevendo lá que tinha empacado na leitura, pois não conseguia ver a Nina passando por tanta tristeza. Três fala sobre muitas coisas, mas um tópico fortíssimo é a manipulação. Quando querem moldar pessoas, para elas caberem naquela caixinha do que é aceitável, como se a vida fosse igual uma campanha de margarina com uma família super conservadora e tradicional. Nem todas as pessoas cabem e querem caber nesses potes, mas a manipulação ali vem por relacionamentos, amizades, trabalho… e no meio da rejeição, culpa e solidão, o único amor vem da amizade se refazendo. Ali, ninguém se conhece melhor do que os três. O plot acontece quando se percebe que nem os melhores dos melhores amigos conseguem ver o que está lá no fundo e nem a gente considera bonito… o que foi reprimido a ponto de estar quase invisível.
Nem os problemas, os conflitos e as escolhas erradas são capazes de separar uma amizade que transcende a vida.
— Eu também achei. Sabe, Nina… a gente acha as coisas. E a gente se engana.
Página 288
Três tem muito abuso de drogas e álcool, tem abandono de animais, tem maldade. Mas tem transformação. Tem a Nina, que passou por tanto perrengue, tendo sua oportunidade de ser feliz. Tem Adrien, mostrando e se orgulhando de quem é de verdade. Tem Étienne, tendo sua família e entendendo que mesmo que a gente não queira algo no passado, pode ser feliz tendo isso no futuro. É lindo entender a dor de cada personagem. É lindo perceber o crescer.
Tem pessoas que te amam por quem você é por dentro e outras que te amam por quem você é por fora. Tem aquelas também que te amam por inteiro, corpo e alma. Como diz Étienne, “sua alma não tem gênero. A gente não se aproxima das pessoas porque são meninas ou meninos, mas pelo que elas exalam.”
Eu amei que nem tudo é tristeza e no final tudo vai se ajeitando. Queria algo mais concreto? Queria. Nem tudo também precisa ser do meu jeito kkk
Esse post faz parte do Clube do Livro do nosso grupo de blogagem coletiva Entreblogs. Se participar do grupo+clube também te anima e você quiser fazer parte, conheça a página explicando um pouco mais sobre o grupo.
Livro #002: TRÊS, VALÉRIE PERRIN.
p.S: vocês notaram o detalhe no rosto do Adrien na capa do livro, como ele é diferente em cada metade? Caiu um cisco no meu olho🥹


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