Tudo bem não saber

Lembrei de um causo. Quando eu tinha 20 anos e estava fazendo um ano social no exterior, trabalhei em um lar de idosos no setor da ergoterapia. A equipe era eu, 2 terapeutas e a terapeuta chefe. Essa terapeuta chefe supervisionava meu voluntariado, então todas as perguntas que eu tinha, eu direcionava pra ela.

Como boa curiosa que sou, por dia era uma chuva de perguntas para ela. Umas ela respondia com paciência, outras só me olhava de lado e eu já sabia que tinha que descobrir sozinha e em muitos casos ela dizia “Catarina, a gente não precisa saber tudo(ela raramente me chamava de Bruna). Pelo menos uma vez por dia eu escutava essa frase e sempre dava risada. Claro que na época tinha uma barreira linguística e até eu entender que tinha humor envolvido, eu fiquei muitas vezes insegura se era uma informação confidencial que eu não poderia saber. Ok, no caso dela era um senso de humor meio atravessado, mas ela sempre esteve certa.

É humanamente impossível saber tudo. Não tem como uma cabecinha (por mais que seja interessada por toda nova informação disponível) gravar tanta coisa. As vezes é só questão de respirar, lembrar que dá pra viver a vida sem saber daquilo e passar a situação ou demanda adiante.

Eu penso nessa frase da Magdalena – a mulher que eu citei – como um momento de virada em mim. 10 anos depois daquela experiência e eu ainda me pego pensando nela e em quão mais “de boas” eu levo minha vida. Não tem problema dizer ok, eu não preciso saber disso. Vida que segue.

Aproveitei o tema do aviso diário de escrita do WordPress como ideia para hoje. “Descreva um encontro aleatório com um desconhecido que marcou você positivamente” e a inspiração veio imediatamente. Hoje foi o primeiro dia que eu quase falhei por não ter vontade nenhuma de escrever. Mas né… cá estou.

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