Eu adoro falar sobre aprender idiomas. Com a devida oportunidade, eu falaria horas sobre o assunto… tirando a genealogia, não sei se um assunto me prende tanto quanto aprender a se comunicar com pessoas de culturas e estilos de vida diferentes.
Minha infância e juventude toda foi morando com minha mãe e meus avós no interior do Rio Grande do Sul. Ambos meus avós tiveram pouquíssimo acesso à educação e nas escolas que iam, em grande parte era ensinado em alemão. Como minha avó sempre diz, ela aprendeu português com a vida e a necessidade de conseguir falar com quem não entendia ela. Até meus 5 anos, eu praticamente só falava esse dialeto alemão, então a minha primeira barreira foi na pré-escola: aprender o segundo idioma do zero. Só isso já mostra que é bem possível crianças serem bilingues em casa, a cabeça de uma criança é uma verdadeira esponja, perfeita pra absorver essas informações.
Chegando na terceira série, tive meu primeiro contato com inglês, pois o idioma virou uma disciplina na escola. O ensino era bem raso, mas já servia pra fazer aquelas comparações do tipo banana, Banane (em alemão) e banana (inglês). Eu achava engraçado demais umas palavras serem tão parecidas e outras tão diferentes. Mais uma vez, a cabeça foi tentando se adaptar para entender.
Na sétima série surgiu a oportunidade de fazer gratuitamente um curso de espanhol e minha mãe me matriculou. Foi novamente algo bem raso, mas mais uma vez eu mergulhei dentro do idioma. Mais comparativos de palavras e a cabeça tentando conectar tudo.
Com 18 fui fazer meu intercâmbio na Alemanha e ali foi o grande baque: por mais que eu estudasse a gramática de alemão desde os meus 14 anos, a prática do dia a dia é maluca. Ter a oportunidade de mergulhar nessa cultura foi insano, pois o que eu achei que sabia não era suficiente. Mais uma vez tive que aprender a me adaptar e evoluir na fala e escuta.
O que mais me pega hoje em dia é aquele papinho para vender curso de idiomas com a frase “fale como um nativo“. Vocês já pararam realmente pra pensar no que isso representa?
Mesmo português sendo minha língua materna, eu não acredito que eu fale corretamente no meu cotidiano. Eu falo muita gíria, uso um vocabulário básico e minha oratória também não é uma das melhores – mas eu falo português como uma nativa. Pessoas americanas, alemãs, russas, sei lá, também fazem o mesmo. Falar como um nativo na verdade é ser real e imperfeito, dificilmente vai se encontrar alguém que fale 100% sempre. É normal não saber se expressar pra tudo e não saber entrar em conversas profundas sobre alguns tópicos. Eu não sei falar sobre matemática avançada nem em português, imagina em alemão, espanhol e inglês. Limites.
Por definição, ser poliglota é ser fluente em 3 ou mais idiomas. Aí vem de novo a pergunta: o que é ser fluente?
“A fluência em idiomas é definida pela capacidade de se comunicar de forma natural, espontânea e contínua, sem longas pausas ou hesitações excessivas, permitindo que a troca de informações ocorra com fluidez”
Na teoria tudo lindo, mas isso significaria que eu nem falo português fluentemente kkkkk
As vezes é importante parar e pensar no que fluência significa para nós e o que “falar como um nativo” realmente representa.
Agora na vida adulta eu já iniciei lições de francês, italiano, turco, neerlandês e russo pelo Duolingo. Não coloco meu foco nesses idiomas, mas volta e meia eu faço uma e outra lição, para ir pegando e relembrando os básicos.
Nós como brasileiros somos multiculturais, cheios de miscigenação e influência de muitos idiomas. É normal ter crescido assistindo Rebeldes e telenovelas mexicanas que passavam na Record. É normal ser tão empático que o jeitinho brasileiro se aplica até pra adaptar o idioma pra aprender a se comunicar minimamente com um gringo. Quando um brasileiro sai do Brasil, se adapta e aprende… é incrível.
Então sim, a Catarina é poliglota.
Você também tem facilidade de aprender idiomas? Se sim, qual é o que você aprendeu ou está aprendendo? Me conta aqui nos comentários! 🙂


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