A cura vai acontecendo e quando a gente percebe, está voltando a ser esquisita como era aos 15 anos

Eu tenho um caderno onde faço algo entre um diário & escritas de manifestação (posso falar mais sobre ele em outro momento). Esse caderno tem me acompanhado ao longo dos anos e eu tenho tentado ao máximo escrever algo todos os dias, mesmo quando estou sem vontade ou acho que o dia foi péssimo. Geralmente eu não faço ideia do que vou escrever no momento que pego a caneta, mas quando coloco a data, sempre sai algo interessante e que provavelmente estava no meu inconsciente. Hoje, quando escrevi, acabei me dando conta de algo muito importante: mesmo sem saber, eu estou em um processo muito grande de cura da minha “eu” adolescente.

Isso fez minha mente dar um duplo twist carpado com pirueta e dancinha splish splash.

Quando eu iniciei a escrita aqui no blog, sentia julgamento e risadinhas de pessoas próximas – o que me deixava muito insegura e envergonhada. Mesmo não fazendo nada de errado, eu me sentia mal, como se precisasse esconder esse meu lado das pessoas. No fim, quem sabia e acompanhava meu blog eram estranhos que no fim viraram amigos. Família em si nem deu bola. Os anos foram passando e eu me acostumei com isso… a esconder minha escrita.

Aos meus 15 eu estava aprendendo sobre maquiagem, lia fanfics e livros de romance pra lá e pra cá, escutava minhas bandas favoritas naqueles celulares slide rosa e branco, assistia MTV e lia blogs maneiros. Usava minha câmera Cyber Shot pra fazer fotos com looks inspirados no tumblr, usava o Twitter para explanar todo e qualquer detalhe da minha vida. Treinava em casa a dançar de salto alto, para não passar vergonha nas festas que eu ia. Fazia aulas de futebol depois da escola, para me sentir ativa em um esporte que eu gostava. Eu fazia o que dava na telha e sentia tudo com todo meu coração. Os anos foram passando e aquela exigência de “ser menos” foi tomando conta. Ninguém leva a sério meninas que tem gostos infantis demais, não pode usar essas roupas, etc etc. Blá blá blá 🙄

Aquele brilho foi se perdendo, diminuindo, até ficar guardadinho num canto nostalgico.

De uns anos para cá eu coloquei na minha bio do Instagram que eu sou a autora de um blog. Pronto, vários cliques a partir do IG, pouca gente comentando, mas pela primeira vez eu estava deixando de esconder uma parte importante de mim. Comecei a falar dos meus posts sem ter vergonha. Fiz stories falando do blog e destaquei. Enfim: fiz uma série de coisas para sair da zona de conforto.

Dia 25/05/26 fui entrevistada pela Jéssica Mallmann do Jornal A Hora aqui de Lajeado/RS, para falar sobre o blog. Aparecer, nem que fosse em um espaço pequeno do maior jornal de circulação aqui na minha região foi surreal… pensar nas respostas me deixou com a cabecinha fervilhando! Eu, que nunca falava tão abertamente sobre minha escrita, aceitei participar de algo que foi impresso no jornal!!! E o melhor: não senti medo, me senti BEM com isso, FELIZ!

Mas olha só… sendo mais livre, falando sobre o que eu gosto, treinando e me mantendo ativa na academia, estou me curando tão forte que estou voltando a ficar “esquisita” assim como eu era quando tinha 15 anos. E que bom!!!! Com 30 anos, gostando do mesmo estilo de livros, dos mesmos rolês, tendo um estilo criativo de me vestir e pensar, falando pelos cotovelos e romantizando minha vida. A forma genuína que eu vivia era a essência da minha personalidade e de esquisita eu não tinha nada. Hoje eu amo ser assim, do meu jeito e com meus interesses! E o melhor: sinto que não preciso me esconder ou sentir envergonhada do que eu sou e o que eu gosto.

Se tiver qualquer pessoa falando de escrita (seja publicada ou não) eu sempre vou incentivar. Incentivo qualquer arte. Incentivo qualquer corpo. Incentivo qualquer pessoa que queira se encontrar e viver do seu jeitinho. Ódio e intolerância a gente deixa lá na Idade Média.

Eu sei que minha eu de 15 anos me visse agora, seria minha maior fã. Isso cura tudo!

A entrevista publicada está aqui nesse link.

p.s.: A foto do post faz parte do ensaio de 15 anos que fiz em um estúdio. As plumas e acessórios eram “tendência” naquela época e eu fui pro ensaio sem saber o que esperar. Na época eu usava aparelho nos dentes e tinha tirado ele só pra minha festa de aniversário e fotos, então queria sorrir em todas oportunidades possíveis, só por não estar com sorriso metálico. Se vocês vissem o restante das fotos do ensaio, provavelmente estariam como eu quando vejo: achando que a fotógrafa estava no meio de um delírio kkkkkk Eu dou risada dessas fotos, mas AMO a vibe caótica ❤

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11 respostas a “A cura vai acontecendo e quando a gente percebe, está voltando a ser esquisita como era aos 15 anos”

  1. Avatar de tferreiraw
    tferreiraw

    Olá! Adorei esse post e fico muito feliz por você! Eu tb fiz 30 anos há uns meses, e também me sinto voltando pro meu eu mais autêntico, escrevendo sobre o que eu gosto, retomando hobbies. Isso me gera muitas emoções mistas (falei mais em https://th.blog.br/adulto/), mas sinto muito estar em paz com meu eu passado por não ter me tornado apático e continuar vendo a vida com olhos que podem se encantar com tudo. Bom, por hoje é só, já adicionei seu blog no meu leitor, um abraço e que você continue fazendo tudo que gosta ✨

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  2. Avatar de Bruna Medeiros

    Respondendo seu comentário no meu post: você também parece tão legal, vamos ser amigas!!!

    E acho que essa é uma reflexão muito dos 30 anos, por aqui senti a mesma coisa. Me vi recuperando alguns hábitos e voltando a fazer coisas que eu gostava quando eu tinha meus 15 e era esquisitíssima kkk. Acho que o legal de chegar nos 30 é justamente ter a confiança e liberdade de ser esquisita, assumir o que a gente gosta, sem a vergonha e a insegurança dos 15.

    No fim, e apesar de tudo, é maneiro demais crescer, né?!

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    1. Avatar de Bruna Both

      Obaaaaa! Vamos amigar ❤
      Concordo super contigo… é maneiro crescer! É engraçado poder escolher almoçar coisas doces e jantar sopa. Ter essas (e muitas outras) liberdades é bom demais kkkkk

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  3. Avatar de Aline Codonho
    Aline Codonho

    Eu ando pensando tanto nessas coisas sabe. No quanto a gente vai abandonando as coisas que gostava e que faziam da gente quem a gente era em troca de parecer com algo que esperam da gente… e ai vou levantar a bandeira de que abandonar hobbies é algo que só é de certa forma imposto pra nós mulheres, porque cobram da gente uma maturidade onde esses hobbies não se encaixam. É por isso que nos últimos anos eu venho quase que numa missão de resgate do meu brilho através dessas pequenas, mas importantes, coisas que me compõem.

    Eu fico muito feliz de ver que você está se encontrando e se curando, é um processo bonito demais.

    E amei amei a foto. Eu não tive um ensaio de 15 anos, então amei muito!

    Um beijo!

    Curtido por 1 pessoa

    1. Avatar de Bruna Both

      Oiii Aline!
      Esse teu comentário bateu num ponto muito forte aqui… li pro meu namorado e ficamos conversando sobre isso um tempão. Ele, que não tem hobbies super aceitos entre a comunidade masculina (tipo futebol), comentou que já teve que esconder várias vezes o passatempo por causa de comentários feios ou risadas, como se ter um hobby mais criativo sendo homem fosse errado.
      Que mundo virado esse que nós vivemos, cruzes. Fico feliz demais quando vejo mais e mais pessoas se libertando dessas amarras do certo e errado.

      Obrigadão pelo comentário ❤
      Abraço

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  4. Avatar de Laura Nolasco

    Ainda nem li o texto, mas pelo título já preciso dizer: outro dia eu tava dirigindo na estrada cantando uma música a plenos pulmões com um amigo, parei e pensei: ESSA é exatamente a Laura que a Laura de 15 anos queria ser quando crescesse.
    /agora já depois de ler…/
    Que bom que a gente vai reencontrando quem a gente é, né? Bom demais conseguir deixar de lado essa preocupação exagerada em se encaixar, ser menos…
    E parabéns pela entrevista, que demais!!
    Abraços

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    1. Avatar de Bruna Both

      Oii Laura!
      Amei teu comentário em duas partes ❤
      Coisa boa que vamos crescendo e desbloqueando isso de que podemos ser do tamanho que queremos, né.

      Abração

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  5. Avatar de Valéria

    Faça sim um post sobre seu diário e escritas de manifestação!!! Tenho vontade de começar a escrever fisicamente assim novamente, mas não sei…
    Achei tudooo esse post, que bom que está tendo essa coragem de mostrar que sim você escreve, tem um blog e é super autêntica! ✨
    Aliás, amei as fotos que ilustram o post, essas plumas eram sucesso mesmo ahhaha!
    E já abri o link aqui pra ler sua entrevista, chique demais 💖

    https://www.heyimwiththeband.com.br/

    Curtido por 1 pessoa

    1. Avatar de Bruna Both

      Oiii Val!
      Adorei que você curtiu minha ideia… vou escrever o post sim, pode deixar! Agora que estão falando de BEDA novamente, talvez eu coloque esse assunto como tópico lá 🙂
      Obriiii pelo elogio!! Eu também achei chique e fico toda envergonhadinha de pensar nisso… não to acostumada com essas coisas hahahahaha

      Abração

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  6. Avatar de Uma garota de 30 anos

    Demais, demais, demaissss esse seu texto!!! Senti uma vibe meio “De repente 30”. Eu também me peguei resgatando as minhas “esquisitices” de adolescente nessa fase da vida. É bom demais retomar as coisas que a gente ama de verdade, de uma forma meio “pura”, porque ainda não tínhamos esquecido de nós. Falei um pouco sobre isso nesse texto aqui do meu blog, caso vc queira dar uma olhadinha (https://semdominio.bearblog.dev/eu-amo-indice-onomastico-e-caderno-sem-pauta/). E também fiz um outro baseado no seu texto sobre Memórias do subsolo, que eu adorei (https://semdominio.bearblog.dev/carta-para-o-meu-vizinho/).

    Tô amando seus textos e estou acompanhando tudo no meu feed RSS. Beijos ❤ escreva pra sempre!!

    Curtido por 2 pessoas

    1. Avatar de Bruna Both

      Me senti tão honrada com tua presença aqui!!! Amei tanto que você me citou no seu blog ❤
      Adicionei o seu no meu Feeder também e vai ser uma honra continuar te acompanhando!

      Abração

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