EP03 – Geneologia pode ser um hobby?
Faz bastante tempo que não escrevo mais sobre essa busca familiar e quando fui pensar nisso, vi que muitas coisas aconteceram depois do último post e uma parte de mim tem ficado incansável… ter um propósito de busca tem me dado ânimo pra seguir pesquisando e achando coisas divertidas sobre minha família pelo caminho.
No caso que eu falei sobre a Cidadania Luxemburguesa, queria falar por alto quais são as chances de você conseguir, caso tenha algum familiar com um sobrenome dessa lista aqui.
Uma das formas mais comuns, é quando o seu sobrenome agora é igual o da pessoa que veio para o Brasil. Uso como exemplo o sobrinho da minha avó, que tem sobrenome Bourscheid: o nosso antepassado tinha o mesmo sobrenome e ele foi passando de filho homem para filho homem, até chegar no tal sobrinho. Nesse caso, ele encaminhou a documentação para a Embaixada, teve os documentos aprovados e pode ir até Luxemburgo retirar a certidão de cidadania.
O segundo caso, é quando em algum momento o sobrenome foi para uma filha e no casamento, ela trocou de sobrenome. Vamos para o exemplo da minha avó: ela era Bourscheid, casou, trocou de sobrenome e a minha mãe recebeu o sobrenome Both. Nesse caso, é necessário a certidão de nascimento, casamento (e eventual óbito) de todas as pessoas envolvidas. No meu caso, o Kleber (consultor) buscou a certidão de nascimento e casamento da minha avó, e a certidão de nascimento minha e de minha mãe. Desse jeito, dá para comprovar a linhagem sanguínea, encaminhar a documentação para a Embaixada, ter os documentos aprovados e ir até Luxemburgo retirar a certidão.
Agora veio o meu caso: uma Lei foi aprovada, facilitando a cidadania quando algum dos pais (que seria o último descendente sanguíneo antes de nós) nasceu depois de 1969. Não pesquisei muito sobre essa regra, mas da minha família só eu e um primo conseguimos solicitar desta forma. Nesse caso, a documentação é encaminhada e quando for aprovada, a Certidão de Cidadania vem direto pelo correio. Não precisa de toda a formalidade de ter que ir até Luxemburgo retirar o documento.
Com essa Certidão em mãos, dá para solicitar o passaporte e a identidade do país. Esses processos podem ser encaminhados no Consulado Geral Luxemburguês em Brasília – é essa parte que eu estou me enrolando para fazer kkkk
Árvore pela parte da minha avó materna ✅
Com essa parte resolvida, fui para a parte do meu avô materno… que é um dos que me interessava muito (já que eu ainda carrego o sobrenome). No Family Search não tinha muita informação pela parte dos Both, então fui “futricando” com possíveis erros de grafia. Aí achei 🤡
Em uma dessas pesquisas, acabei encontrando um site de um Memorial do Tempo de um sobrenome que também está na minha árvore. Vi que se tratava de uma genealogista com sua linha de pesquisa da própria família… achei incrível pelo tanto de detalhes que ela juntou. A genealogista em questão é a Lisete Göller, de Porto Alegre.
Encontrei ela pelo Facebook e falei que adorei ver a pesquisa dela e que encontrei o nome do meu avô na lista. Passei os dados que contribuem na pesquisa dela e ela foi super querida comigo. Nisso falei que estava procurando uma forma de saber se a grafia do meu sobrenome estava correta e ela logo se prontificou a ajudar.
Ela entrou em contato com um amigo genealogista da Alemanha e ele conferiu em um listão de telefones se ainda tem alguém com o mesmo sobrenome na cidade da qual eles vieram. Bingo! Tinha! Ele fez pesquisas adicionais e a grafia está mesmo correta. O sobrenome Both continua não fazendo sentido pra mim, mas errado ele não está.
A tal cidade que eu citei se chama Tholey e a vila na qual moravam se chama Theley. Vou colocar umas fotinhas que eu encontrei:



Fun fact: o cardeal Dom Odilo Scherer, que foi um dos oito cardeais brasileiros que participou do último Conclave, descende da mesma cidade. Descobri isso, enquanto buscava imagens pra adicionar no post 😀
Minha bisavó tinha o sobrenome Schmitz e procurando pela família dela, descobri que originalmente eles moravam “pertinhos” um do outro. A cidade se chamava Mastershausen e ficava a mais ou menos 80km de distância.

Acho muito interessante pensar no contexto da época, quando aqueles discursos que terras brasileiras eram baratas e que os agricultores de lá teriam melhores condições de vida e plantio aqui. E o quanto isso se mostrou ser uma ilusão, na maioria dos casos. A vida precária que tinham chegando aqui e tendo que começar tudo do zero era cruel.
Eu iniciei essas pesquisas há mais de 5 anos e posso dizer que achei muita coisa interessante. Descobri coisas que, contando para minha avó, até ela se surpreendeu. Por exemplo, ela disse que seu pai teve um ataque e faleceu em casa, mas não sabia o que ele tinha, pois ele não parecia doente. Era um homem relativamente novo ainda. Nas pesquisas, descobri que a causa da morte foi hemorragia intestinal – e verificando mais casos similares na família, vimos que muitos da família Bourscheid tem problemas intestinais, como diverticulite (que pode gerar hemorragia intestinal e… óbito). No caso da família Both, roda o problema de glaucoma, demência e diabetes. Descobrir essas coisas está até ajudando minha família a ficar atenta a questões de saúde.
Fechando o assunto por aqui: será que genealogia pode ser considerado um passatempo ou com os devidos estudos pode virar uma profissão?
Larguei a pergunta e saí correndo. São anos pesquisando, aprendendo, usando técnicas novas, solicitando informações de várias formas e em lugares diferentes. Um pouquinho de experiência já posso dizer que tenho kkkk
Vocês já fizeram uma pesquisa familiar dessas?
Abraço!



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