Oi!
Uma das missões da semana no nosso desafio é reviver uma postagem antiga do blog e contar o que mudou desde então. Pra pensar nisso, fui dar uma olhada nos posts antigos, pra ver se teria algum que eu gostaria de trazer pro presente.
Bati o olho em um post de Veneza, a cidade romântica e turística da Itália. O post que eu fiz era lá de 2015 e nele eu contava como foi conhecer a cidade, na época que eu era Au-pair e tinha 19 anos. Um post bem neutro e nele eu falei a parte bonita de como foi e como eu me senti lá. Foi uma viagem que marcou muito, pois pra minha cabeça da época, Veneza nunca tinha sido uma opção possível e que caberia no meu bolso.
Primeiramente, como Au-Pair na Alemanha, meu salário era de 160 euros. Eu trabalhava muitas vezes das 7h da manhã até quase as 7h da noite, sendo que o horário acordado no contrato era de 6h de trabalho por dia. Eu não recebia pagamento pelas horas extras que eu fazia e na época eu não sabia me impor e muito menos dizer não para minha patroa. A ideia da viagem veio em um momento que eu estava extremamente cansada de tudo e só queria me divertir e sair da casa onde eu morava. A ida e volta de Ulm até Veneza custaria 35 euros por uma agência e eu achei super razoável. Passei a ideia para amigos Au-Pairs e para minha mãe e organizamos de irmos juntos.
35 euros era só a viagem, certo? Na animação de ir, passei em uma loja e comprei uma jaqueta “de couro” por 20 euros, pois imaginei que ficaria legal nas fotos. Foi mais 10 euros para ir de trem de uma cidadezinha perto onde eu morava até Ulm. Aí em Ulm, comprei um lanche e um livro pra ler no caminho. A ida de ônibus para a Itália foi tranquila, eu praticamente só dormi. No caminho, paramos em um lugar e eu vi que tinha uma caixa linda de biscoitos à venda no paradouro. Comprei. Dali pra frente, só pra trás com os gastos.
Chegando em algum lugar na Itália (não me recordo exatamente onde), embarcamos em um trem até Veneza, já que não tem como entrar lá de ônibus. Chegando na Stazione Santa Luzia, fomos caminhando até a Piazza San Marco – que nos disseram ser imperdível e lindo demais. Disseram também que era tranquilo de chegar, mas caminhamos praticamente a manhã inteira. Paramos milhares de vezes pra tirar fotos e entrar em todo e qualquer lugar que tinha uma placa sinalizando ser de graça. Todas as idas ao banheiro tinham o custo de 1 ou 2 euros ou a consumação no local. Almoço? Caro! Sanduíche? Caro e pequeno. Aí pensa na cara da minha mãe que comprou um sanduíche e um albatroz pegou da mão dela kkkk
Curtimos relativamente pouco da Piazza San Marco, pois tinha muitas pessoas e muitas pombas (eu me assusto muito fácil com elas). Voltamos a pé para a Stazione Santa Lucia pelo outro lado da cidade. Rodamos tanto a pé… atravessando pontes, vendo casais em gôndolas e nos assustando com o preço que cobravam para cada passeio, normalmente os valores partindo de 80 euros. Mas vimos muitas construções lindas & museus maravilhososss! Nossa!!
Chegamos cedo na estação e ainda daria tempo para fazer algo diferente… resolvemos dar um rolê de barco vaporetto para a Piazza San Marco, que já havíamos visto antes kkkk
Fizemos todo o trajeto por água, podendo ver a estrutura das estacas e o jeito que as lanchas passavam perto, indo e vindo das ilhas. Aí sim foi lindo! Não conseguia acreditar que estava lá… muito menos fingir costume. Eu adoro água e o dia estava perfeito para sentar na parte aberta do vaporetto.
Voltando para perto da estação de trem, compramos souvenirs, tomamos cafezinho, vimos um protesto passando enquanto estávamos sentados na escadaria da Chiesa di San Simeon Piccolo, que fica na frente da estação. Foi um dia enorme e cheio de informação. Era como estar vivendo em um filme de tanta coisa bonita que vimos.
Enfim chegou a hora de ir pra casa… Estávamos exaustos!! De novo, dormi a viagem inteira. Chegamos em Ulm, coloquei meu casaco de frio novamente e me organizei para ir para a casa da minha família hospedeira. Tudo certo. No dia do meu retorno, estava de folga e dormi o dia todo.
Lembram da jaqueta linda? Perdi no ônibus ou na estação de trem 🤡
Meu salário? Foi praticamente todo embora em questão de 2 dias.
Não pude comprar nada até receber outro salário? Óbvio.
Me arrependi? Não.


















É maluquice que com a minha idade na época, eu foquei no fedor da cidade, no tanto de gente que tinha lá e que tudo era um mix de coisas destruídas & pichadas com coisas lindas e reformadas. Hoje eu só penso no privilégio de conhecer a cidade naquela época e ter a disposição de ficar fazendo esses rolês aleatórios, tendo principalmente a possibilidade de apresentar a cidade para minha mãe – o que para nós era sempre um sonho. Fora a parte do aquecimento global e o fato da altura da água estar subindo e a cidade poder ficar submersa em alguns anos. Nós fomos e pudemos ver a cidade do jeito que ela é e eu não acredito muito que um dia vá voltar lá… e algo tão lindo e cheio de história pode sumir.
Foi uma viagem muito especial, também por ter sido uma das primeiras viagens que fiz com minha câmera Nikon (a falecida que tomou chuva), que tinha comprado uns meses antes da viagem. Pude ver coisas lindas e também exercitar o olhar fotográfico em um lugar tão dinâmico. As fotos sempre tinham alguém caminhando no fundo e isso me ensinou muito sobre deixar o perfeito de lado e tirar fotos que captam as lembranças do dia. Não sabia editar elas nem nada, tudo era uma descoberta. Na época, eu só tinha um notebook simples e um pendrive, então passar fotos para meus amigos era sempre um caso à parte. Eu lembro que compartilhei a maioria das fotos e aí de algum jeito, perdi elas. Lembro que chorei muito, pois só restaram poucas fotos no post e eu tinha me orgulhado muito das fotos que tinha tirado.
Passando para o tempo atual…
Anos atrás eu li um livro sobre mafiosos de Veneza, que moravam na ilha de Giudecca. Enquanto eu lia, criei um hiperfoco na ilha e ficava rodando as vielas pelo Street View. Coloquei na minha cabeça que eu teria que ver a ilha pessoalmente um dia, de tão bonitinho que achava (por mais improvável que isso seja). Hoje, quando estava procurando ideias para o post, acessei os arquivos do meu HD externo e quando abri uma pasta aleatória………… lá estavam todas as fotos que eu tirei com minha câmera naquele dia. Quando eu bati o olho nas fotos, comecei a rir. Eu passei de barco em Giudecca em 2015!!!
De tanto ver as fotos da ilha na época do livro, eu reconheci os locais nas minhas fotos. Isso é o bacana de curtir a viagem e curtir a fotografia, por mais que muitas fotos saiam tremidas e com o ângulo estranho. A memória pode falhar, mas bem que as fotos ajudam a lembrar.



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