Tem dia que eu só quero sumir. Não por tristeza, não por birra, nem pra fugir do mundo. É só uma vontade de não ter que responder ninguém. De não ter que preencher o silêncio do ambiente com conversa fiada ou fazendo graça com algo.
É estranho como ainda dá uma certa culpa assumir isso. Como se preferir o silêncio fosse uma sentença de morte. Como se passar uma tarde inteira em casa, tomando um cafezinho sem pressa nenhuma, fosse um pedido de socorro disfarçado.
Não é.
Às vezes, a casa vazia é o único lugar do mundo onde eu não preciso ser melhor que ninguém. Posso ler várias páginas dos meus livros esquisitos sem me preocupar que alguém está tentando ver a capa. Posso encarar as paredes por minutos, só existindo… sem ter que explicar o que estou pensando. É um alívio estar indisponível.
O problema é o outro tipo de silêncio… aquele que acontece no meio de uma mesa cheia de gente. Um caso é se sentir acolhida e ir embora bem, mas o pior é quando se está ali, respondendo, rindo nos momentos certos, mas por dentro tem um nó. Uma sensação chata de estar gastando uma energia enorme pra sustentar uma versão de si que nem existe mais. Tentando agradar pessoas que no fundo você nem gosta. É uma solidão muito mais barulhenta e bem mais cansativa.
Acho que passei tempo demais acreditando que o oposto de estar sozinha era estar acompanhada. Também não é.
Ficar sozinha, na maioria das vezes, é só voltar pra casa. E ali, em casa, perceber que tenho paz quando a presença de outras pessoas não me rouba de mim. Aquela paz de continuar sendo quem eu sou, com as partes boas e ruins, sem julgamento.
O resto, no fim é só barulho.



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